O Copom reduziu a Selic em 25 pontos-base, de 14,00% para 13,75%, no quinto corte consecutivo dessa magnitude. A decisão veio em linha com o consenso e reforçou a estratégia gradual adotada desde março. A mensagem implícita é clara: existe espaço para continuar flexibilizando a política monetária, mas esse espaço permanece condicionado ao comportamento da inflação, da atividade, do câmbio e do ambiente externo.
Do lado doméstico, o pano de fundo melhorou o suficiente para justificar mais um corte. O IPCA de agosto registrou -0,32% no mês e desacelerou para 4,22% em 12 meses. Ao mesmo tempo, indicadores de atividade mostram perda de fôlego em setores mais sensíveis ao juro. Essa combinação — inflação mais benigna e crescimento menos robusto — costuma ser o terreno natural para um Banco Central reduzir a taxa básica.
O problema é que o mundo ficou menos colaborativo justamente quando o Brasil ganhou algum espaço para cortar. O Federal Reserve voltou a subir juros, o Banco do Japão também apertou a política monetária e o petróleo continua adicionando ruído ao processo de desinflação global. Em outras palavras, o Copom não opera em vácuo: cada corte na Selic acontece em um ambiente no qual o diferencial de juros com os Estados Unidos diminui, o que torna o câmbio e a curva longa mais sensíveis.
Por isso, o aspecto mais importante da decisão não é o nível absoluto da Selic, mas o tom da calibragem. O Banco Central tenta entregar alívio sem alimentar a percepção de complacência. Esse equilíbrio é ainda mais importante em um país que entra em reta final eleitoral e continua convivendo com incertezas fiscais. A discussão, portanto, já não é apenas se a Selic vai cair mais, e sim até onde ela pode cair sem reabrir pressão sobre expectativas e moeda.

Figura 1. O diferencial Selic–Fed Funds encolheu após a Super Quarta.
Em resumo
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A inflação melhorou o suficiente para permitir novos cortes, mas a descompressão ainda depende do ambiente externo.
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O diferencial de juros Brasil–EUA segue alto, porém menos folgado do que parecia algumas semanas atrás.
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O principal ativo do Copom no momento é a cautela: cortar pouco preserva a credibilidade do ciclo.
Fontes
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Banco Central do Brasil - histórico de decisões do Copom e Selic de 13,75% na 281ª reunião. Acessar fonte
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IBGE - IPCA de agosto de 2026: -0,32% no mês e 4,22% em 12 meses. Acessar fonte
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Reuters - Brazil central bank cuts rates fifth straight meeting and leaves next move open (16/09/2026). Acessar fonte
Nota visual: gráficos elaborados para a OTR Capital com base nas fontes indicadas; imagens ilustrativas geradas por IA quando gráfico não faria sentido editorial.
